Segundo a Unesco, 262 milhões de estudantes do Ensino Fundamental têm níveis mínimos de proficiência em leitura e matemática. No Brasil, o nível médio de aprendizagem está abaixo de 2019, no pré-pandemia.
Os alunos estão matriculados na escola e frequentando as aulas. Ainda assim, não aprendem.
Logo, não se trata de um problema de acesso a ensino, e sim uma questão de recomposição de aprendizagem. Isto é, de identificar os desafios dos estudantes e corrigi-los.
Para isso, é necessário articular quatro eixos que explicam, ao mesmo tempo, a origem do problema de defasagem de aprendizagem e as condições para revertê-lo.
O que significa proficiência mínima?
O Nível de Proficiência Mínima (MPL) é a capacidade de aplicar conhecimentos a situações reais, de acordo com o nível de ensino atual do estudante. A definição é da Aliança Global para Monitorar a Aprendizagem (GAML).
Em Leitura e Matemática, o MPL engloba:
| Área | Competências mínimas exigidas | Consequências da lacuna |
| Leitura | Conectar informações em múltiplas seções, compreender a intenção do autor, realizar inferências e extrair conclusões com base em evidências | Dificuldade crônica em interpretar enunciados complexos, comprometendo a autonomia de estudo e gerando desengajamento |
| Matemática | Aplicar operações aritméticas, resolver problemas de medição e geometria, interpretar gráficos e utilizar representações algébricas | Bloqueio cognitivo diante de abstrações lógicas, perpetuando a percepção de que a matemática é inacessível |
Um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU é alcançar a proficiência mínima até 2030. No entanto, o cenário global é preocupante.
Em 2017, apenas 44% dos estudantes atingiram o MPL em matemática ao final do Ensino Fundamental. Em leitura, o índice sobe para 60%. Muitos avanços que ocorreram desde então foram postos em xeque pela pandemia e ainda não foram recuperados.
Como consequência, ocorre um efeito cumulativo de defasagem de aprendizagem. Os estudantes avançam de série sem realmente dominar o conhecimento dos níveis anteriores, o que aumenta a lacuna conforme eles progridem. No Brasil, 17% dos estudantes nos anos finais do Ensino Fundamental apresentam distorção de dois ou mais anos.
Para gestores, isto também representa o investimento financeiro em sistemas de ensino que não entregam aprendizado.
Por que ainda não alcançamos a proficiência mínima?
Quatro pilares explicam porque a crise de aprendizagem persiste e porque a recomposição de aprendizagem importa tanto.
- Cognição e emoção: desenvolvimento socioemocional e cognitivo raramente são processos integrados, o que é um erro;
- Funções executivas: o modelo de ensino tradicional, definido por Paulo Freire como bancário, não favorece as habilidades cognitivas;
- Alinhamento ao novo PNE: o novo modelo de ensino incorpora a formação humana de forma transversal nos currículos;
- Gestão baseada em evidências: utiliza dados em tempo real para identificar lacunas e corrigi-las precocemente.
Quando houver avanços nestas quatro áreas, a educação brasileira alcançará melhores níveis de proficiência escolar. A grande dificuldade para muitas redes de ensino é articular os pilares.
O modelo pedagógico tradicional não resolve
Na maioria das escolas, impera o modelo expositivo. Ele se concentra na transmissão de conteúdo e parte da premissa de que estudantes aprendem quando recebem informação o suficiente.
As evidências mostram justamente o contrário. O desenvolvimento socioemocional e cognitivo devem ser processos integrados, pois habilidades como autorregulação emocional, tolerância à frustração e controle da impulsividade ajudam o cérebro a processar conceitos abstratos.
Um estudante que está sob estresse ou ansiedade não consegue assimilar o conhecimento de forma plena. Ele não consegue aprender, mesmo que a escola passe o conteúdo na ordem certa.
As funções executivas seguem a mesma lógica. A proficiência mínima exige a integração de múltiplas habilidades (como noção numérica, orientação espacial, geometria e álgebra, na Matemática). Para aplicá-las, os estudantes precisam de habilidades cognitivas, como flexibilidade, memória de trabalho e resolução de problemas.
O modelo expositivo não treina essas competências, apenas apresenta as fórmulas e espera que os alunos as reproduzam, o que nem sempre é possível.
Recomposição de aprendizagem: o que as evidências indicam
O novo Plano Nacional de Educação incorpora o desenvolvimento socioemocional como eixo central da formação escolar.
A legislação prevê que as escolas assumam a função de promover, além do conhecimento nas disciplinas tradicionais:
- Formação humana integral;
- Saúde emocional;
- Convivência ética;
- Protagonismo estudantil.
Para implementar esses elementos em programas efetivos de recomposição de aprendizagem, é necessário adotar uma gestão escolar baseada em evidências.
Isto significa ir além das avaliações nacionais bianuais, como o SAEB. Elas são importantes, mas não devem ser a única fonte de dados. No dia a dia, gestores devem investir também na análise de dados contínuos, via dashboards e plataformas de Business Intelligence (BI).
Desta forma, podem identificar as defasagens não resolvidas e implementar programas de correção antes que a lacuna se acumule e cresça.
Como o Programa Mente Inovadora atua na recomposição de aprendizagem
O Programa Mente Inovadora, desenvolvido pela Mind Lab, opera diretamente sobre os quatro pilares da recomposição de aprendizagem.
O método integra três elementos principais.
Jogos de raciocínio funcionam como simuladores da realidade, nas quais os estudantes trabalham as funções executivas que utilizarão ao longo da vida escolar.
Métodos metacognitivos ensinam estudantes a pensar sobre o próprio raciocínio por meio de metáforas simples e fáceis de memorizar;
A mediação docente, na qual os professores conduzem as dinâmicas (e recebem formação específica para fazê-lo adequadamente), orienta as atividades e garante aprendizagem real.
A eficácia da abordagem foi confirmada por diversos estudos independentes:
- Um experimento da Universidade de Yale demonstrou que estudantes expostos à metodologia completa da Mind Lab obtiveram ganhos em raciocínio estratégico, matemática e compreensão verbal.
- No Ideb de 2023, redes municipais que aplicaram o programa Mente Inovadora registraram crescimento médio de 0,8 pontos, acima da média nacional;
- Rio Branco, no Acre, saiu de 5,7 para 6,4 no Ideb, após a implementação do Mente Inovadora;
- O Christensen Institute identificou a Mind Lab como um dos casos de inovação educacional com maior potencial de impacto sistêmico no Brasil.
Programas como este, que integram cognição, emoção, alinhamento ao PNE e gestão de dados, são necessários para superar as lacunas da educação brasileira. Sem isso, ações de recomposição de aprendizagem dificilmente geram resultados duradouros e repetíveis.
O Programa Mente Inovadora foi desenvolvido para promover precisamente essa integração. Conheça a metodologia da Mind Lab e saiba como aplicá-la na sua rede.




