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Importância da educação socioemocional: por que ela é essencial para aprender e viver melhor

Importância da educação socioemocional por que ela é essencial para aprender e viver melhor

Importância da educação socioemocional: por que ela é essencial para aprender e viver melhor

A importância da educação socioemocional é comprovada por décadas de pesquisa científica. Desenvolver habilidades como autorregulação emocional, empatia e responsabilidade determina se alguém aprende, permanece na escola e consegue construir uma vida funcional depois da escola.

Trabalhar essas habilidades é cada vez mais urgente. Além de ser requisito da formação integral prevista na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o socioemocional é uma ferramenta contra a ansiedade, a desmotivação, a evasão e os conflitos interpessoais.

Neste artigo, você conhecerá os principais benefícios das habilidades socioemocionais, com base em dois estudos internacionais: a análise de Durlak et al. (2011), que analisou dados de 260 mil estudantes, e a revisão de Cipriano et al. (2023), de 424 estudos experimentais sobre o impacto do socioemocional no aprendizado.

Por que a educação precisa ir além do conteúdo?

Durante décadas, a escola se organizava em torno das habilidades cognitivas, medidas por provas e taxas de aprovação em provas importantes. É um modelo funcional, mas incompleto, pois a emoção e a cognição funcionam lado a lado.

Quem está ansioso, não aprende bem. Quem não consegue se comunicar bem, também não. O mau resultado não é questão de esforço, é falta de desenvolver mecanismos para lidar com o estresse. É precisamente esta a função da aprendizagem socioemocional.

A BNCC também trabalha com essa abordagem. Todo o documento menciona as competências socioemocionais como partes constitutivas do ensino. Elas não devem estar em uma dimensão separada, menos ainda “subordinada” aos conteúdos técnicos.

Esse entendimento dialoga diretamente com os quatro pilares da educação definidos pela Unesco:

  • Aprender a conhecer;
  • Aprender a fazer;
  • Aprender a conviver;
  • Aprender a ser.


Todos são, em sua essência, socioemocionais. Logo, a escola que ignora os sentimentos e a convivência forma cidadãos incapazes de interagir de forma plena com a sociedade.

Benefícios da educação socioemocional na aprendizagem

Os benefícios da educação socioemocional estão em diversas áreas:

  • Melhora no desempenho acadêmico, incluindo notas melhores em provas;
  • Maior controle sobre as emoções, ao aprender a nomear, compreender e regular o que sentem;
  • Mudanças positivas de atitude em relação a si mesmo, aos colegas e à própria escola;
  • Redução de comportamentos problemáticos, como a agressividade e a evasão;
  • Melhora nas relações entre pares, com mais colaboração e solidariedade;
  • Redução do sofrimento emocional, com menos isolamento e sintomas de ansiedade;
  • Maior engajamento cívico, ou seja, mais compreensão sobre o seu papel e responsabilidades sociais.


A importância da educação socioemocional está também no coletivo. Os benefícios são individuais, mas se refletem em todo o ambiente.

Impacto no clima escolar e na convivência

As competências socioemocionais melhoram todo o ambiente escolar. Quando os estudantes se sentem seguros e pertencentes, praticamente todos os indicadores de aprendizagem melhoram.

Os benefícios incluem:

  • Menos bullying e resolução mais ágil de conflitos. 
  • Maior cooperação, resultante da empatia e entendimento sobre os outros;
  • Mais cooperação durante projetos e atividades em grupo;
  • Cultura de paz, com menos casos de indisciplina ou exclusão social.


Mas, para que o clima melhore, é necessário adotar práticas específicas na escola. Entre elas, rodas de conversa, acordos de convivência definidos pelos estudantes, dinâmicas de escuta ativa, projetos interdisciplinares em grupo, entre outros.

São atividades simples, que podem se tornar momentos de aprendizado a partir da mediação dos professores. Quando elas se tornam rotina, os benefícios se estendem por toda a vida.

Importância para a saúde mental e para a vida adulta

A importância da educação socioemocional está no longo prazo. Isso porque alguns problemas de saúde mental, como a ansiedade, o estresse e a depressão, não tem hora para aparecer.

Os primeiros sintomas podem ocorrer ainda na adolescência, mas os quadros podem ser diagnosticados apenas na vida adulta. Quando os estudantes aprendem as competências socioemocionais na escola, tornam-se melhor preparadas para enfrentar problemas ao longo de toda a vida adulta.

As vantagens do socioemocional para a saúde mental são:

  • Fator de proteção contra comportamentos de risco;
  • Resiliência diante das frustrações, não importa quais sejam;
  • Preparação para o mercado de trabalho, pois o socioemocional é frequentemente mais decisivo do que conhecimento técnico isolado;
  • Mais autonomia, o que se traduz em mais responsabilidade sobre as próprias ações.


Essas habilidades não aparecem “naturalmente”, como resultado do ato de crescer. Elas são treináveis – e, idealmente, esse treinamento começa na escola e em casa, com o apoio dos pais. 

Desafios e cuidados na implementação

Apesar de tantos benefícios, implementar a educação socioemocional não é simples. São necessárias vontade política, uma gestão que acredite em sua importância, professores com formação adequada e projetos de longo prazo.

Segundo os estudos, o principal obstáculo é a formação docente. Se os professores não têm habilidades socioemocionais apuradas, não conseguem desenvolvê-las em seus estudantes.

A intencionalidade pedagógica é outro fator crítico. As atividades devem ser sequenciais, intencionais, focadas em habilidades específicas e com objetivos claros. Se o programa socioemocional for improvisado, ou conduzido sem planejamento, dificilmente produzirá resultados.

Por fim, a superficialidade também é um risco. Devido à falta de projetos claros, muitas redes não conseguem implementar programas transversais, onde o socioemocional está presente em todas as disciplinas. Como consequência, os resultados também ficam abaixo do esperado. 

O socioemocional não pode ficar no segundo plano

A lição que fica é que o socioemocional não é acessório, nem parte isolada do currículo. Quando isso acontece, a escola está proporcionando apenas metade da formação dos estudantes.

Sem o desenvolvimento socioemocional, o estudante não consegue usar com efetividade o que aprendeu. Também não consegue trabalhar com os outros, lidar com os desafios da adolescência e da vida adulta. Em casos mais severos, nem consegue participar ativamente da vida em sociedade.

O papel da escola é de formação integral. E, para que ela exerça essa função com maestria, gestores e professores devem estar na mesma página sobre a importância da educação socioemocional. Para se aprofundar na pauta, leia o guia completo do portal Educador360.

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