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Ideb 2025 em Campos dos Goytacazes: a maior nota da história e o que veio antes dela

Ideb 2025 em Campos dos Goytacazes: a maior nota da história e o que veio antes dela

Ideb 2025 em Campos dos Goytacazes: a maior nota da história e o que veio antes dela

Campos dos Goytacazes fechou o Ideb 2025 com 5,7 nos anos iniciais do ensino fundamental, a nota mais alta já registrada pela rede municipal desde a criação do índice, em 2007. O resultado foi divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em 5 de agosto de 2026 e marca o segundo avanço consecutivo do município: em 2023, a nota havia sido 5,4. Nos anos finais, o índice se manteve em 4,2, repetindo o valor do ciclo anterior, segundo o comunicado oficial da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct).

O dado ganha outro contorno quando olhado junto à série histórica recente. Em 2020, Campos ficou sem resultado no Ideb pela primeira vez em quinze anos, porque a rede não reuniu as condições para coletar os dados exigidos pelo MEC durante a pandemia. Em 2021, já de volta ao ciclo avaliativo, a nota foi 4,7. Dois anos antes, em 2017, o índice era 4,6. A curva entre 2021 e 2025, portanto, descreve uma recuperação que atravessa dois ciclos de avaliação seguidos, algo que poucos municípios de grande porte conseguem sustentar.

O que entrou na sala de aula enquanto a nota subia

Parte dessa recuperação tem uma origem que vale destacar logo de início: Campos dos Goytacazes é cliente da Mind Lab desde 2023, ano em que 21 unidades da rede municipal passaram a aplicar o Programa Mente Inovadora, metodologia de desenvolvimento socioemocional e cognitivo criada pela empresa. Segundo nota oficial da Prefeitura de Campos dos Goytacazes, a iniciativa já alcançou cerca de 8.800 alunos, cerca de 400 professores e mais de 26.400 familiares em escolas como o Cemstiac e os Cieps Professora Carmem Sylvia Carneiro, Francisco Portela e Wilson Batista.

O programa combina jogos de raciocínio com métodos metacognitivos aplicados por um professor mediador, um desenho que tem raiz na Teoria da Modificabilidade Cognitiva Estrutural do psicólogo israelense Reuven Feuerstein e no interacionismo de Lev Vygotsky. 

Na prática, isso significa ensinar a criança a organizar o próprio raciocínio antes, durante e depois de resolver um problema, e não apenas entregar o conteúdo a ser memorizado. Thiago Zola, diretor de Soluções Educacionais da Mind Lab, resumiu o papel da parceria em Campos nestes termos: a colaboração vem “para reforçar um trabalho que o município já faz”, sobretudo na formação de professores, somando soluções pedagógicas à rede pública municipal, conforme declarou à Prefeitura.

Os dados permitem afirmar é que o período de maior aplicação do Mente Inovadora coincide com o segundo ciclo consecutivo de alta da nota, um padrão que a Mind Lab já documentou em outras redes que adotaram a mesma abordagem, caso de Angra dos Reis, também no Rio de Janeiro, onde a rede municipal chegou a 6,1 nos anos iniciais em 2025, e de Indaiatuba, em São Paulo, que fechou o Ideb 2025 com nota 7,5 e ficou em 4º lugar entre os municípios brasileiros de grande porte.

Essa leitura, aliás, não nasceu com o Ideb 2025. Campos dos Goytacazes já havia sido reconhecida em 2024 como uma das dez cidades vencedoras do Prêmio Gestão Inovadora da Educação, parceria entre o Porvir e a Mind Lab que avalia gestões municipais pela consistência das políticas educacionais, e não pelo resultado de uma única avaliação. O reconhecimento veio antes do resultado divulgado agora, o que ajuda a situar o Ideb 2025 como consequência de um trabalho que já vinha sendo observado de fora, não como um evento isolado.

Uma nota construída sobre uma base mais larga de escolas

Se a nota de Campos fosse resultado de poucas escolas de referência puxando a média para cima, o número teria pouco valor prático. Não é o caso, e os próprios dados publicados pela Seduct servem para checar isso. Das 97 escolas de anos iniciais selecionadas pelo MEC, 93 reuniram participação suficiente para ter resultado divulgado. Nos anos finais, foram 35 das 39 unidades indicadas.

Essa cobertura importa porque o Saeb, avaliação que compõe o Ideb junto com a taxa de aprovação, só divulga a nota de uma escola quando pelo menos 80% dos alunos matriculados na etapa avaliada comparecem à prova. Redes que preferem números confortáveis a números completos costumam concentrar esforço nas escolas de maior desempenho e deixar de fora as que enfrentam mais dificuldade, o que infla artificialmente a média. Campos fez o caminho inverso: testou mais escolas do que em qualquer edição anterior do Saeb. Vivian Ferreira, diretora de Dados e Estatística da Seduct, atribuiu o resultado a “um trabalho contínuo de acompanhamento, planejamento e tomada de decisões baseadas em evidências”, em declaração à Seduct. A rede também registrou, segundo a mesma nota, a maior participação de escolas em toda a série histórica do Saeb no município, fruto de um trabalho de mobilização junto a diretores, pedagogos e professores ao longo de 2025.

Como Campos se compara ao restante do Rio de Janeiro

Colocar o número em perspectiva regional ajuda a calibrar o tamanho da conquista sem exagerá-la. A média do estado do Rio de Janeiro nos anos iniciais de 2025 ficou em 6,1, contra 5,1 nos anos finais, conforme dados oficiais citados pela Prefeitura de Volta Redonda, cidade que registrou 6,3 nos anos iniciais e 5,3 nos anos finais. A capital fluminense, por sua vez, alcançou 6,2 nos anos iniciais, também recorde histórico da rede, segundo a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro.

Com 5,7, Campos dos Goytacazes segue abaixo da média estadual, e esse é um dado que não deve desaparecer em uma leitura séria do resultado. O que diferencia o caso é a inclinação da curva: enquanto redes já próximas do teto de 6,0 avançam em frações menores, Campos saiu de um apagão estatístico completo em 2020 para dois ciclos seguidos de recorde em cinco anos. É uma trajetória de recuperação, não de manutenção de liderança, e as duas coisas exigem estratégias diferentes.

A experiência de Angra dos Reis, também no estado, mostra que é possível seguir subindo depois de alcançar o mesmo patamar em que Campos está hoje: a rede angrense chegou a 6,1 nos anos iniciais em 2025.

O que sustenta esse tipo de resultado no médio prazo

Casos como o de Campos reforçam um argumento que a Mind Lab tem defendido em municípios de todo o país: infraestrutura e método pedagógico funcionam como duas frentes complementares, não concorrentes. Ivan Pereira, CEO da companhia, tem repetido a mesma ideia em diferentes fóruns públicos sobre parcerias educacionais: é preciso “ir além do cimento”, segundo declarou em entrevista publicada pela Mind Lab. Reformar prédios escolares sem trabalhar competências socioemocionais tende a melhorar a experiência do aluno sem necessariamente mover a proficiência medida pelo Saeb. O caminho inverso, focar apenas em método sem cuidar da estrutura física, também tem limite conhecido.

O que os dados consolidados da Mind Lab mostram, ao reunir municípios de regiões diferentes do país, é que essa combinação tende a se repetir onde o programa é sustentado por mais de um ciclo avaliativo, o que é justamente o ponto em que Campos dos Goytacazes se encontra agora: um início de trajetória que só o próximo Ideb, em 2027, vai confirmar como tendência ou tratar como episódio isolado. Até lá, o dado concreto que fica é este: mais escolas avaliadas, mais estudantes participando e uma nota que, pela primeira vez em quase duas décadas de série histórica, é a maior já registrada pela rede municipal de Campos dos Goytacazes.

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