Em 5 de agosto de 2026, o Inep divulgou os resultados do Ideb 2025. Entre os principais destaques, está a rede municipal de Rio Branco, capital do Acre, que chegou à nota de 6,8 nos anos iniciais do Ensino Médio.
A nota corresponde a um aumento de 0,4 ponto sobre o resultado de 6,4 registrado em 2023 e está acima da média nacional das redes públicas, situada em 6,1. No Ideb 2025, Rio Branco se consolidou entre as capitais com melhor desempenho do país, atrás apenas de Curitiba e Teresina, ambas com 6,9.
Por trás desse avanço, está o trabalho diário de milhares de professores, coordenadores pedagógicos, diretores escolares e famílias que sustentam a rotina das escolas municipais e investem ativamente no futuro das próximas gerações.
Neste artigo, você entenderá em detalhes as ações que influenciaram o resultado positivo e qual foi o papel da educação socioemocional na aprendizagem dos estudantes.
O destaque local: a excelência nas unidades escolares
A rede municipal de ensino de Rio Branco tem escolas que performam muito acima da média.
Três unidades se destacam por sua excelente classificação nos anos iniciais do Ensino Fundamental:
- Escola Municipal Maria Lúcia Moura Marin: nota 8,7, a maior do estado do Acre na etapa avaliada;
- Escola Municipal Luiz de Carvalho Fontenelle: nota 8,3, consolidando a segunda posição na rede municipal;
- Escola Municipal Chico Mendes: nota 8,1 no Ideb em 2025, mantendo o patamar elevado das últimas edições.
Um resultado de tão alto nível é possível graças à soma de diversos fatores, como decisões pedagógicas em sala de aula, planejamento docente, envolvimento das famílias, engajamento dos alunos, entre outros.
Ou seja, tais virtudes não são “exclusivas” a essas três unidades e podem ser incorporadas também nas demais instituições das redes municipais. E mais: podem servir como estudo de caso para outros estados e regiões do país.
A engrenagem da mudança: metodologias ativas e o programa Mente Inovadora
A rede municipal de Rio Branco promoveu algumas mudanças dentro de sala de aula. Entre as principais iniciativas, está o foco nas metodologias ativas e na educação socioemocional, por meio de programas como o Mente Inovadora, da Mind Lab, que integra preceitos da aprendizagem baseada em jogos ao currículo formal.
O método tem três pilares: jogos de raciocínio, métodos metacognitivos e mediação docente. Por meio dessa trinca, o estudante exercita habilidades mentais que sustentam a aprendizagem de qualquer disciplina.
Jogos de raciocínio
O primeiro pilar é composto por jogos de raciocínio lógico que são aplicados de forma estruturada dentro do currículo. São espaços de experimentação onde a criança decodifica regras, monta estratégias, negocia com os colegas e aprende a lidar com erros.
Entre os jogos aplicados, estão:
- Hora do Rush;
- Mancala;
- Minibridge;
- Xadrez e dama;
- Kits de construção com peças modulares, semelhantes a Lego.
“Os jogos aplicados com intencionalidade desenvolvem habilidades como lógica, ética, autocontrole e reflexão. Isso impacta não só o desempenho em português e matemática, mas também o desenvolvimento emocional das crianças.” — Nélio Sales, coordenador de Marketing de Produtos da Mind Lab.
Métodos metacognitivos
O segundo pilar são os métodos cognitivos. Trata-se de um conjunto de heurísticas, espécies de metáforas que ajudam o estudante a organizar o próprio raciocínio diante de um desafio.
Alguns exemplos são:
- Método do Semáforo: O estudante aprende a parar e conter a impulsividade diante de um estímulo (luz vermelha), avaliar o contexto e as variáveis do problema (luz amarela) e só então tomar uma decisão e agir (luz verde);
- Método da Árvore do Pensamento: estimula a análise de ramificações e consequências de diferentes escolhas antes de uma decisão;
- Método da Escada: apoia a decomposição de um objetivo maior em etapas menores e possíveis de executar.
Essas ferramentas formam um repertório que o estudante pode aplicar fora dos jogos, inclusive nas atividades de Matemática e Língua Portuguesa, avaliadas no Ideb.
“É uma ferramenta concreta, que tira o aluno do abstrato. Eles pensam estratégias, constroem, refletem”. — Edilene Martins, diretora de escola municipal participante do programa.
Mediação docente
O terceiro pilar do Mente Inovadora é a mediação docente, conduzida por um professor capacitado a orientar a reflexão dos estudantes durante e depois das atividades.
Sua responsabilidade é apoiar no processo de transferir o que foi aprendido nos jogos para outras situações do cotidiano, o que torna a metodologia Mind Lab muito mais do que uma simples atividade recreativa.
A mediação se apoia em um processo contínuo de formação continuada, que consiste em:
- Formação inicial em plataformas digitais, com carga horária dedicada à metodologia;
- Formação em serviço, integrada à rotina pedagógica da escola;
- Mentorias e acompanhamento tutorial ao longo do ano letivo.
A abordagem socioemocional e a BNCC
Ao desenvolver as habilidades socioemocionais dos estudantes e aplicar as metodologias ativas na educação básica, as escolas dialogam diretamente com as diretrizes da BNCC.
O programa Mente Inovadora é baseado em evidências e se alinha sobretudo às competências gerais, que tratam de:
- Pensamento científico, crítico e criativo;
- Autoconhecimento e autorregulação emocional;
- Empatia e cooperação entre estudantes.
Escolas que adotam o programa relatam também redução de episódios de indisciplina e aumento do entusiasmo dos alunos nas atividades.
Por fim, a abordagem que apoiou os resultados do Ideb 2025 de Rio Branco se conecta ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 da ONU, que defende uma educação de qualidade e acessível a todos.
Logo, ao integrar desenvolvimento socioemocional e conteúdo curricular, a rede municipal de Rio Branco constrói um modelo educacional que forma estudantes de maneira plena.
Investir em pessoas transforma o ensino
Os números do Ideb 2025 de Rio Branco são reflexo do investimento em formação de pessoas. Ao melhorar a infraestrutura social e promover um desenvolvimento pleno, é possível mudar a trajetória educacional de uma região, mesmo diante dos desafios logísticos e geográficos.
Gestores públicos e secretarias de educação de outras regiões podem usar esse case como ponto de partida para explorar o potencial da educação socioemocional dentro de suas próprias redes de ensino.
O compromisso da Mind Lab é apoiar esses projetos, por meio de metodologias estruturadas e soluções baseadas em evidências.




