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Mind Talks EP. 01: Educação socioemocional e políticas públicas com Mozart Neves Ramos

Podcast Mind Talks EP. 01 Educação socioemocional e políticas públicas com Mozart Neves Ramos

Mind Talks EP. 01: Educação socioemocional e políticas públicas com Mozart Neves Ramos

As escolas brasileiras têm um desafio a superar: a questão da qualidade. Crianças e adolescentes estão na escola, mas nem sempre têm a formação integral da qual necessitam. Ter educação socioemocional nas políticas públicas pode ser uma das soluções.

Este é o tema do primeiro episódio do Mind Talks, o podcast da Mind Lab. A cada edição convidamos especialistas e personalidades para discutir os desafios e o futuro da educação básica brasileira.

No primeiro episódio, convidamos Mozart Neves Ramos, ex-secretário de Educação de Pernambuco, e atual titular da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo. Ele é um dos principais estudiosos sobre as desigualdades do sistema educacional brasileiro (e as formas de superá-las).

O podcast está disponível no Spotify e no YouTube.

Abaixo, você verá os principais tópicos da conversa. 


O cenário atual da educação brasileira

A educação no Brasil sempre enfrentou diversos desafios. Hoje, o mais latente é a qualidade de ensino. Em momentos anteriores da nossa história, havia poucas crianças na escola. Hoje, muitas estão nas salas de aula, mas poucas têm as condições ideais de aprendizado.

“O Brasil conseguiu colocar crianças e jovens na escola. Agora, precisamos colocar qualidade.”

Antes da pandemia, indicadores de aprendizagem importantes, como o Ideb, já preocupavam. Depois dela, ficou ainda pior – e a maioria das escolas ainda não conseguiu se recuperar.

Há melhoras, mas em ritmo longe do ideal. Portanto, o foco das políticas públicas de educação deve ser a formação de professores e gestores capazes de superar as desigualdades do ensino brasileiro.

As desigualdades da educação brasileira

Para o professor Mozart, dois fatores devem ser considerados: o aspecto socioeconômico e os fatores intraescolares. A soma deles explica as diferenças de aprendizagem no Brasil.

Os fatores socioeconômicos referem-se ao que está fora da escola, como as condições de vida das famílias. São questões estruturais que escapam à atuação dos gestores.

Por outro lado, os elementos intraescolares dizem respeito à realidade de cada instituição. É o que está dentro dos muros, como o projeto pedagógico e as ações de capacitação docente. Por conta desses fatores, escolas de um mesmo bairro podem ser completamente diferentes entre si. 

“A qualidade do professor é o fator intraescolar mais importante para a melhoria da aprendizagem.”

Para que o ensino melhore no longo prazo, é necessária a educação socioemocional nas políticas públicas. Gestores com competências socioemocionais bem desenvolvidas podem liderar, engajar a comunidade escolar e de fato trazer uma perspectiva mais abrangente e cidadã para a formação dos estudantes.


A importância da educação socioemocional

Mozart defende que o desenvolvimento socioemocional é um eixo estruturante da educação. Por meio dela, é possível lidar com fatores socioeconômicos desfavoráveis, sobre os quais a escola não tem influência tão direta. 

Competências como empatia, inteligência emocional, comunicação assertiva e resiliência podem transformar a escola em um ambiente acolhedor e humano. 

Para professores, isto significa levar em consideração o contexto dos alunos, muitas vezes marcado por violência e estresse. E para os estudantes, são ferramentas adicionais para lidar com questões complexas. 

Por conta disso, a BNCC e o socioemocional estão diretamente ligadas. Aqui, há outra lacuna: a educação integral muitas vezes está apenas nos documentos. A educação socioemocional nem sempre está prevista em políticas públicas ou em programas de formação continuada.

Educação e empregabilidade

Um dos impactos mais diretos do desenvolvimento socioemocional é a empregabilidade. Inclusive, as chamadas “soft skills”, como a capacidade de colaboração, são muitas vezes mais importantes do que as habilidades técnicas ou cognitivas.

“Costuma-se dizer que contratamos pelo cognitivo, mas demitimos pelo socioemocional.”

Há muito a ganhar com o socioemocional. Simultaneamente, estudantes se preparam para o mercado de trabalho e para a construção de seu projeto de vida, falando de forma mais ampla


O ponto cego da educação

Boa parte das escolas não consegue acompanhar as mudanças. O socioemocional é apenas uma delas – as novas tecnologias, os novos modelos de ensino e formas de aprender nem sempre estão presentes nos projetos pedagógicos e nas políticas públicas de educação básica.

Se o ensino não se conecta aos estudantes, a qualidade cai, pois há menos engajamento e impacto negativo nos indicadores de aprendizagem. 

“O aluno quer uma escola que faça sentido para a sua vida”.

Um dos melhores exemplos é o celular. Ele já faz parte do cotidiano dos alunos, mas é ignorado (ou demonizado) por professores, como uma ferramenta que atrapalha a aula.

E em muitas situações, isto até é verdade. Mas o celular também pode ser um importante apoio pedagógico, usado para buscar novas informações, checar fontes ou organizar ideias. 

Usado dessa forma, ele torna o ensino contextualizado e favorece o protagonismo, pois lhes dá autonomia e capacidade de interagir diretamente com a aula. Retirar o celular desse contexto, como diz o professor Mozart, seria “retirar uma parte do mundo mental dos alunos”.


A educação como projeto

A educação sempre será um projeto de longo prazo, que gera legados positivos e impacta as futuras gerações. Por isso, não deve ser medida apenas por resultados imediatos.

Professores, gestores, atores públicos e a sociedade civil devem atuar juntas para alcançar transformações verdadeiras. O futuro está nas qualidades humanas, na capacidade de construir boas relações, de agir coletivamente para superar os desafios. 

Em um mundo com tecnologias tão aceleradas, como a IA, é importante que a mediação pedagógica e a valorização das habilidades humanas não se perca.

Para que isto ocorra, a educação socioemocional nas políticas públicas é uma das direções. Junto dela, estão a capacidade de acompanhar as mudanças, entender o contexto de cada turma e adaptar-se a elas.

Os professores não devem ser robôs. E os gestores devem oferecer as condições para que os profissionais exercitem e aprimorem este aspecto humano, que é a chave para combater as desigualdades do ensino. 


🎙️ EPISÓDIOS DO MIND TALKS

  1. Educação socioemocional e políticas públicas com Mozart Neves Ramos
  2. Entendendo as Parcerias Público-Privadas na educação (PPPs) com Alexandre Pessatte
  3. Qualidade na gestão e inovação na educação pública em Angra dos Reis
  4. Socioemocional na formação continuada de professores

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