Quando a pauta é modernizar a educação, frequentemente pensamos em inteligência artificial, plataformas digitais, equipamentos complexos e abordagens inovadoras.
Tudo isso realmente faz parte da conversa, mas a tecnologia educacional socioemocional pode (e deve) contemplar elementos muito mais simples do que isso.
Segundo Thiago Zola, diretor de comunicação da Mind Lab, tudo o que apoia o professor a ensinar, e o aluno a aprender, é uma tecnologia relevante e de alto impacto em sala de aula.
Ele apresentou a tese no Pitch Educador21, em outubro de 2025. Você pode ver a participação abaixo em vídeo e em versão expandida em texto.
Redefinindo tecnologia para a escola real
A Mind Lab é pioneira no desenvolvimento de tecnologia educacional socioemocional.
Fazemos isso com atenção especial para as especificidades e características próprias da educação brasileira.
O país enfrenta dificuldades estruturais em termos de acesso à escola, qualidade de ensino, uso de tecnologia e modernização de infraestrutura. Muitas escolas ainda estão em processo de expansão e desenvolvimento. E, de modo geral, o Brasil lida com lacunas de aprendizagem severas.
Falar de tecnologia educacional sem considerar esse contexto seria equivocado. Soluções educacionais precisam atender a todos, independentemente das condições socioeconômicas disponíveis.
Portanto, nossa posição sempre é a de usar recursos simples, acessíveis e eficazes quando possível. Essa é a premissa que sustenta o programa Mente Inovadora, desenvolvido por nós e aplicado há mais de dez anos em redes públicas e privadas de todo o Brasil.
“O grande papel das tecnologias é auxiliar os estudantes na tarefa de aprendizagem e também apoiar os professores na árdua e fundamental tarefa de ensinar”.
Os três pilares do Mente Inovadora, a metodologia Mind Lab
O programa Mente Inovadora foi construído sobre três pilares. Cada um cumpre uma função específica no processo de aprendizagem, e os três operam de forma integrada para que os resultados apareçam de maneira consistente e mensurável.
Pilar 1: Jogos de raciocínio
O primeiro pilar são os jogos de raciocínio, com ênfase nos de tabuleiro. Damas, dominó e outros jogos desenvolvidos pela própria Mind Lab formam o núcleo dessa etapa, composta por uma tecnologia bastante simples e conhecida.
Tabuleiros funcionam como espaços de simulação de realidade, com peças, regras, objetivos e estratégias próprias.
Além disso, oferecem oportunidades de interação inerentes ao ato de jogar. Para participar de um jogo, é necessário interagir, lidar com diferentes modos de pensamento, negociar dentro das regras e conviver com resultados que nem sempre são os esperados.
Dentro de uma abordagem de tecnologia socioemocional educacional, essas situações podem criar oportunidades reais de aprendizagem.
“É um espaço muito rico, porque permite tentar, elaborar caminhos diferentes e buscar objetivos sem punições reais.”
Pilar 2: Métodos metacognitivos
O segundo pilar são os métodos metacognitivos. São metáforas que permitem que estudantes e professores organizem o próprio pensamento.
A metacognição é entendida como a capacidade de pensar sobre o próprio processo de pensar. Dentro das competências socioemocionais, é uma das habilidades mais determinantes para o sucesso acadêmico de longo prazo.
Quando o estudante consegue identificar como está raciocinando e no que tem dificuldades, ele desenvolve autonomia.
As metáforas permitem que o estudante alcance essa capacidade. Entre elas, estão a “escada”, que ensina a decompor problemas em pequenas partes, ou o “semáforo”, que ensina a olhar, pensar e agir.
Pilar 3: O professor mediador
O terceiro pilar é o professor mediador, o elemento central de toda a estrutura. Dentro da metodologia Mind Lab, ele é considerado o guia de todo o processo de aprendizagem.
Ele atua de maneira intencional durante as vivências, utilizando estratégias de pensamento para que os estudantes sejam capazes de praticá-las nos jogos. Também é ele quem mostra como essas estratégias podem ser levadas para situações do dia a dia, na escola, em casa e em outros espaços.
Sem a mediação do professor, o jogo existe exclusivamente como atividade lúdica. Ou seja, os estudantes engajam porque jogar é divertido, mas não refletem sobre a finalidade da atividade. Logo, não aprendem (ou aprendem muito menos).
“O professor é como a linha que passa pela agulha e conduz o tecido.”
Da vivência ao desempenho: o que o programa Mente Inovadora desenvolve
O programa Mente Inovadora promove a educação socioemocional dos estudantes.
Entre as habilidades trabalhadas, estão:
- Resolução de problemas;
- Tomada de decisão;
- Trabalho em equipe;
- Empatia e comunicação;
- Autocontrole e autorregulação.
Esses benefícios se refletem no ambiente escolar como um todo, mas vão além, atingindo as comunidades onde vivem os estudantes. Isto é, quando a criança aprende a tomar decisões com mais consciência, carrega essa habilidade para todas as suas relações, mesmo fora da escola.
Além disso, há comprovação científica de que a metodologia Mind Lab promove melhorias nas funções executivas, fundamentais para o aprendizado.
Resultados mensuráveis
A trajetória de dez mais de 10 anos de implementação do Mente Inovadora permite observar resultados positivos consistentes.
Um estudo do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) identificou melhorias significativas em raciocínio lógico, metacognição e desempenho em Matemática e Português.
No Ideb de 2023, escolas que aplicaram o programa Mente Inovadora registraram crescimento médio de 0.8 pontos, quatro vezes mais do que a média nacional.
Entre as redes de ensino que investem na metodologia, podemos citar Natal (RN), Angra dos Reis (RJ), Rio Branco (AC), Itupeva (SP) e Parnamirim (RN).
Tecnologia educacional socioemocional em pauta no Pitch Educador21
A participação de Thiago Zola no Pitch Educador21 destaca que a tecnologia mais relevante é aquela que chega.
O programa Mente Inovadora é um exemplo concreto de que a melhor tecnologia nem sempre é a mais sofisticada, ou a que está no “hype”. É a que funciona dentro das realidades de cada escola, com os recursos que elas têm disponíveis,
É isto o que estamos construindo aqui na Mind Lab desde 2006: métodos e ferramentas eficazes, que podem ser aplicadas em escala nas redes de ensino básico brasileiras, considerando as particularidades de cada uma. Assim, a cada ano transformamos as vidas de mais pessoas.




