Os números do Ideb mostram onde estamos. O diagnóstico aponta para onde precisamos ir.
Ivan Pereira, CEO da Mind Lab, resume assim o cenário que se repete a cada novo ciclo de avaliação. Ao observar apenas os resultados, perdemos de vista as nuances de cada rede de ensino. Por exemplo, muitas redes estão caindo, mesmo que a média nacional tenha aumentado. E há escolas com a mesma nota, mas realidades muito diferentes.
Portanto, as políticas públicas não deveriam partir da solução, e sim de uma pergunta: qual é o problema de cada rede de ensino?
Este texto apresenta os números que sustentam essa tese (incluindo a matemática por trás da nota do Ideb), apresenta o panorama nacional e destaca as redes que já conseguiram transformar o diagnóstico em resultado.
O que os números confirmam: auditoria dos dados
A média nacional do Ideb oculta diferenças profundas entre as redes de ensino.
Os indicadores abaixo, obtidos a partir da checagem dos microdados do Inep, dentro de um recorte de redes municipais comparáveis, demonstra o porquê.
| Indicador | Valor auditado |
| Redes municipais comparáveis (2023-2025) | 3.106 |
| Avanço simultâneo no Ideb e na aprendizagem | 62% |
| Estagnação ou recuo nos dois indicadores | 20% a 25% |
| Ideb em alta sem ganho de aprendizagem | 8% |
Duas redes com a mesma nota final podem estar vivendo situações opostas. Uma pode ter avançado em aprendizagem, enquanto outra pode apenas ter melhorado a taxa de aprovação, como é o caso de 8% das escolas analisadas.
Essas possibilidades existem por causa da matemática por trás do Ideb. Funciona assim:
- O índice é o produto de dois indicadores;
- O primeiro é o indicador de aprendizagem (N) calculado a partir das notas padronizadas do Saeb;
- O segundo é o indicador de fluxo (P), calculado a partir das taxas aprovação do Censo Escolar;
- Quando a taxa de aprovação sobe e a proficiência fica estável, o produto cresce mesmo sem ganho de aprendizagem.
É por isso que o indicador educacional do Ideb mostra a situação atual de uma rede de ensino, mas não como ela chegou lá e nem quais rumos deve tomar.
Panorama nacional do Ideb 2025: um Brasil em velocidades diferentes
Outra diferença profunda que a média nacional esconde está nos níveis de ensino. Nacionalmente, o Ideb avançou em 2025, mas em ritmos diferentes.
Vejamos um rápido panorama nacional, separado por nível de ensino:
| Etapa | Nota 2023 | Nota 2025 | Meta | Atingiu a meta? | Destaques |
| Anos Iniciais | 5,7 | 6,1 | 6,0 | Sim (+0,1) | Melhor patamar da série histórica; municípios críticos caíram de 1.097 para 442; Matemática atingiu pela 1ª vez o nível adequado do Inep |
| Anos Finais | 4,8 | 5,0 | 5,5 | Não | Percepção de ambiente escolar favorável cai de 68% (6º-7º) para 53% (8º-9º) |
| Ensino Médio | 4,1 | 4,3 | 5,2 | Não | Hiato de 1,5 ponto entre pública e privada; aprovação de 94,3% x apenas 3,6% com proficiência adequada em Matemática |
O crescimento nos Anos Iniciais (1º ao 5º ano do Fundamental) foi muito mais evidente. Neste nível, o ranking por estados tem o Paraná à frente, seguido por Ceará, Santa Catarina e o bloco de Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo.
Nos demais níveis, o cenário é muito menos favorável, sendo o Ensino Médio um destaque negativo na aprendizagem. Esses resultados colocaram as PPPs de infraestrutura no centro do debate para o próximo ciclo.
Do dado ao diagnóstico: três camadas que a média nacional não mostra
Antes de definir qualquer política pública educacional em 2026, é necessário entender em qual camada está o problema de cada rede de ensino.
Se o Ideb aumentou, é por causa do avanço na aprendizagem, ou pela queda nas reprovações? E, se não houve avanço de aprendizagem, por quê? Se caiu, qual é a explicação?
Geralmente é possível chegar a uma resposta analisando três camadas: a cognitiva, socioemocional e de infraestrutura.
Camada cognitiva
O desempenho em avaliações como o Saeb depende da maturação das funções executivas, como memória de trabalho, controle inibitório, flexibilidade cognitiva e capacidade de planejamento.
Avaliações como o programa PIAFEX correlacionam as funções executivas com o bom desempenho em testes padronizados. Ou seja, por meio dessas aptidões, o estudante consegue mobilizar o conhecimento teórico com mais facilidade.
Camada socioemocional
As competências não cognitivas, isto é, o socioemocional, são igualmente importantes. Diversos estudos atestam esse fato:
- O economista James Heckman, vencedor do Prêmio Nobel, demonstrou que persistência e capacidade de organização influenciam o desempenho acadêmico e a empregabilidade;
- Estudos do Laboratório de Estudos e Pesquisa em Economia Social (LEPES) da USP mostram que foco, perseverança e capacidade de adiar as recompensas imediatas explicam o rendimento escolar de forma semelhante às medições tradicionais de inteligência.
Camada de infraestrutura
Sem infraestrutura de qualidade, não há ensino de qualidade.
Projetos de Parceria Público-Privada (PPP) atuam nessa lacuna. Elas envolvem manutenção predial, limpeza e segurança, mas mantêm a gestão pedagógica sob responsabilidade exclusiva do poder público.
O modelo está ganhando cada vez mais espaço no Brasil. Em 2023, eram 57 PPPs educacionais em estruturação. Em 2026, o número saltou para 150, com destaque para o contrato de R$ 5,1 bilhões assinado por Minas Gerais na B3.
Diagnóstico em prática: o que redes acima da média têm em comum
As escolas que lideram o Ideb têm alguns elementos em comum: diagnóstico contínuo, gestão educacional baseada em evidências e a ênfase no desenvolvimento cognitivo e socioemocional.
Redes que aplicaram o programa Mente Inovadora, da Mind Lab, tiveram avanços acima da média nacional e em contextos socioeconômicos bem diferentes entre si. Uma das razões é o nosso método metacognitivo, que trabalha competências cobradas no Saeb:
- Eliminação de hipóteses em questões de múltipla escolha;
- Organização do tempo de prova;
- Inferência textual;
- Autorregulação da atenção durante avaliações longas.
Veja abaixo quatro estudos de caso. Para ver análises mais profundas, basta clicar no nome de cada município na lista abaixo.
| Município | Ideb 2023 (Anos Iniciais) | Ideb 2025 (Anos Iniciais) | Destaque |
| Taguaí (SP) | 7,2 | 7,9 | 12ª melhor nota do estado |
| Rio Branco (AC) | 6,2 | 6,8 | 1ª capital do Norte, 3ª do Brasil |
| Santana de Parnaíba (SP) | 6,4 | 6,7 | Liderança na Região Metropolitana de SP |
| Angra dos Reis (RJ) | 5,8 | 6,1 | Liderança na Costa Verde Fluminense |
- Taguaí cresceu sustentado pelas duas escolas da rede, a E.M. Pedro Soldera e a E.M. Giovanne Ferretti, demonstrando a eficiência das políticas educacionais da rede municipal;
- Angra dos Reis usa instrumentos próprios para diagnosticar os problemas da rede pública, o Avaliar e o Idear, aplicados a cada bimestre;
- Santana de Parnaíba pontuou acima dos demais municípios da região metropolitana de São Paulo. A rede aplica o Mente Inovadora desde 2017 para cerca de 20 mil alunos e conta com formação continuada para centenas de professores;
- Rio Branco vive uma ascensão histórica, com a maior nota entre as capitais da região norte e a terceira entre todas as capitais do país. Os avanços se devem principalmente à recomposição de aprendizagem e à mediação socioemocional.
Transformando indicador em diagnóstico
Entre as 3.106 redes municipais analisadas, 62% avançaram simultaneamente no Ideb e na aprendizagem, mas uma em cada quatro não avançou em nada.
A diferença não aparece na média nacional, mas separa as redes que sabem qual problema estão resolvendo, das que estão fazendo apostas desconexas.
Para gestores e secretários de educação, o próximo passo depois de ler o Ideb é identificar, dentro da própria rede, se há lacuna de aprendizagem. E desenhar a intervenção apenas a partir dessa avaliação diagnóstica municipal.
A Mind Lab pode apoiar o processo de tomada de decisão, por meio da implementação de propostas metodológicas consolidadas, testadas e aprovadas pela maioria dos profissionais que as desenvolvem. Entre em contato conosco para conhecer as possibilidades para a sua rede.




