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Mind Talks EP. 04: socioemocional na formação continuada de professores

Mind Talks EP. 04 socioemocional na formação continuada de professores

Mind Talks EP. 04: socioemocional na formação continuada de professores

A formação integral dos estudantes já é uma pauta conhecida na educação básica. Mas e o professor? Quem cuida da sua formação, para além das habilidades pedagógicas? O socioemocional na formação continuada de professores também deve fazer parte do debate.

Este é o tema do quarto episódio do Mind Talks, o podcast da Mind Lab que discute educação, políticas públicas e transformações sociais.

Recebemos Edgard Larry, secretário de educação de Vitória da Conquista, que defende que o socioemocional é o “solo onde todo o aprendizado se sustenta”. Veja abaixo como essa abordagem é colocada em prática na rede pública. 

Você pode acompanhar a conversa no Spotify, ou em vídeo no YouTube:

O papel do socioemocional na formação continuada de professores

Durante anos, as competências socioemocionais foram apenas um acréscimo no currículo. Algo importante, mas que fica separado dos conteúdos “de verdade”, das disciplinas de sala de aula. 

Felizmente, a lógica foi invertida. Diretrizes importantes, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), já indicam que o socioemocional não deve ser um âmbito separado, e sim parte integral do ensino. 

Nesta mesma lógica, deve estar presente na trajetória de alunos e na formação continuada de professores. Um docente sem autoconhecimento, gestão emocional e empatia dificilmente conseguirá cultivar essas habilidades em seus alunos. 

E, muitas vezes, a formação inicial não contempla essa preparação.

Neste ponto, entra o conceito de letramento humano, apresentado por Edgard. Segundo ele, professores precisam compreender a si mesmo e ao outro. Deve aprender a lidar com conflitos, com dores que chegam sem aviso e com as complexas relações que se formam na sala de aula.

O aspecto técnico é apenas uma das competências dos docentes, não a única, nem a principal. O socioemocional é este elemento estruturante, que deve ser incorporado nas políticas públicas educacionais. 

“Quando transpassamos o tecnicismo e compreendemos que cada pessoa carrega uma dor, desenvolvemos sensibilidade para transformar com base na ética e na virtude”.

Formação continuada como decisão política

A formação docente continuada é um projeto de longo prazo. Portanto, depende de vontade política para ser executada na rede pública.

Em Vitória da Conquista, diversas ações foram tomadas, como:

  • Ampliação do tempo reservado à formação;
  • Um terço da carga horária dedicada para atividades complementares;
  • Criação do Centro Municipal de Formação Educacional Permanente, que concentra as principais atividades.

A estratégia parte do princípio de que pensar o ensino faz parte do ato de ensinar. Com espaços adequados e atividades bem organizadas, o clima escolar fica mais positivo e o bem-estar docente aumenta. 

A importância da valorização do professor

No centro dessa política, está o entendimento sobre o papel do professor. Ele é um agente de transformação, que executa currículos, orienta e media as interações dos alunos. Mas, mais importante, é um ser humano com emoções, limites, histórias e necessidades.

Gestores devem ter essa compreensão e oferecer as ferramentas para que os profissionais superem os seus desafios profissionais. Proporcionar formação docente é uma das principais estratégias (e um investimento no futuro e nas próximas gerações).

E, para obter o máximo retorno desse investimento, é necessário contemplar também o socioemocional. O controle sobre as próprias emoções e forma de se relacionar com os demais transforma as práticas pedagógicas, eleva o bem-estar, reduz o estresse e promove diversos outros benefícios.

Ferramentas de formação socioemocional dos professores

Desenvolver o socioemocional dos professores não é tarefa simples, até porque muitas equipes ainda enxergam a formação como “gasto”, não como “investimento”. 

Em Vitória da Conquista, há alguns princípios que norteiam as ações formativas. Conheça os principais abaixo.

Intencionalidade

O socioemocional na formação continuada de professores deve ser intencional, desenvolvendo duas dimensões:

  • As competências relacionais, como escuta ativa, mediação de conflitos, comunicação assertiva e empatia;
  • As estratégias pedagógicas concretas, como metodologias participativas, práticas restaurativas e desenvolvimento de rotina para os alunos.


Assim, os professores sabem o que estão fazendo e o porquê, além de desenvolverem todos os saberes docentes.

“O professor passa a ter instrumentos concretos para agir de forma intencional”.

Cultura de pacificação

A Secretaria de Educação de Vitória da Conquista criou um setor específico para a resolução de conflitos na rede pública. 

O foco é, nas palavras de Edgard, a criação de uma “cultura de paz”, que promove ações preventivas e cultiva relações mais saudáveis, evitando que os conflitos aconteçam ou se intensifiquem.

Foi firmada também uma parceria com o Tribunal de Justiça da Bahia para a implementação de justiça restaurativa. A premissa é de punir quem errou, mas também entender os fatos, responsabilizar adequadamente e reparar os vínculos.

Essa abordagem se conecta diretamente ao socioemocional, pois trabalha as mesmas habilidades que a formação docente busca desenvolver, como a escuta e a empatia.

Sensibilidade

O secretário Edgard Larry é também poeta. Essa dimensão faz parte de sua visão sobre o que é educar e formar seres humanos.

“A poesia liberta”.

É uma afirmação simples que reflete as emoções, contradições, afetos e silêncios presentes no ato de educar. Elementos que, muitas vezes, passam despercebidos ou não são facilmente traduzidos em estruturas de apoio aos professores.

A educação socioemocional na rede pública faz justamente isso: promove maior compreensão sobre os sentimentos, a capacidade de nomeá-los e entender como afetam quem está ao redor.

Cuidado

Por fim, há a noção de que educação é cuidado. É criar vínculos, fortalecer relações, praticar o cuidado entre gestores, professores e estudantes. Isso deve influenciar as escolhas de currículo, de estrutura, de investimento e de alocação de tempo.

Tudo deve ser pensado em relação ao outro. Envolve ouvir, entender as necessidades, acolher quando necessário. É um equilíbrio delicado entre técnica e sensibilidade.

“Educar é um gesto de encontro. A escola não é apenas transmissão de conhecimento, mas território de construção humana.”

Desafios para consolidar o socioemocional como política pública

É mais fácil falar sobre esses tópicos do que desenvolvê-los em um projeto de longo prazo. Hoje, o maior desafio é incluir o socioemocional de forma orgânica e sistêmica na rede pública.

Há evidências, como pesquisas sobre o impacto das competências socioemocionais na aprendizagem, mas faltam diretrizes claras. A BNCC, por exemplo, traz o socioemocional como elemento fundante, mas a implementação depende de interpretações que variam entre redes e municípios.

Ou seja, na teoria, o socioemocional é um tema transversal. Na prática, existe apenas onde há vontade política e capacidade técnica. 

No Mind Talks e no blog da Mind Lab, discutimos os caminhos para que essas barreiras sejam superadas. Para conhecer mais sobre nossa abordagem socioemocional na rede pública, te convidamos a conhecer os demais conteúdos do nosso site. 


🎙️ EPISÓDIOS DO MIND TALKS

  1. Educação socioemocional e políticas públicas com Mozart Neves Ramos
  2. Entendendo as Parcerias Público-Privadas na educação (PPPs) com Alexandre Pessatte
  3. Qualidade na gestão e inovação na educação pública em Angra dos Reis
  4. Socioemocional na formação continuada de professores
  5. Gestão educacional baseada em evidências e foco no aluno
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