A BNamericas publicou, em 31 de julho de 2026, uma entrevista com Ivan Pereira, CEO da Mind Lab, e João Daniel Marques, CFO da companhia, sobre a ascensão da infraestrutura social como nova fronteira de investimento no Brasil. A conversa trata do apetite crescente de fundos e operadores por contratos de concessão e parcerias público-privadas em educação, saúde e outros serviços públicos. Leia a entrevista completa no site da BNamericas.
Marques situa o movimento como uma repetição do que já ocorreu na infraestrutura econômica, os projetos tradicionais de transporte, energia e telecomunicações que amadureceram nas últimas décadas sob concessões e PPPs. Segundo o executivo, a infraestrutura social atravessa hoje um processo semelhante. Uma demanda represada em educação e saúde encontra um poder público com restrições fiscais e, ao mesmo tempo, um ambiente regulatório mais experiente depois de anos de concessões consolidadas.
Pereira aponta uma convergência crescente entre o perfil de investidor da infraestrutura social e o da infraestrutura econômica. Grandes gestores e fundos especializados já entram no segmento, ampliando a disponibilidade de capital para um mercado que, segundo ele, é cerca de três vezes maior que o da infraestrutura econômica. Iluminação pública conta com programas de cidades inteligentes, enquanto saúde e educação concentram historicamente os maiores orçamentos de estados e municípios. Do lado da operação, o mercado passa a exigir empresas especializadas em cada segmento social, e não apenas operadores tradicionais de infraestrutura, o que abre espaço para parcerias entre grupos de infraestrutura e especialistas setoriais como a Mind Lab, que já estrutura PPPs de educação socioemocional em municípios brasileiros.
Marques resume em três pontos o que sustenta o crescimento saudável desse mercado: indicadores claros de desempenho, um marco regulatório sólido e um sistema de garantias que dê estabilidade aos investimentos ao longo da concessão. Para o CFO, a sociedade precisa ter transparência sobre os resultados entregues pelo poder concedente, o que aproxima essa fala da forma como a própria Mind Lab trata governança e prestação de contas em seus contratos.
Pereira minimiza o risco da estruturação municipal isolada. Projetos dessa complexidade contam com apoio técnico do BNDES, da Caixa Econômica Federal e de fundos como o FEP e o FDIRS. O ponto sensível, segundo ele, está no sistema de garantias. Quando vinculadas a receitas federais, como ocorre em modelos de educação relacionados ao Fundeb, essas garantias reduzem o risco percebido e tornam municípios pequenos tão competitivos quanto grandes capitais. O caso das 95 escolas estaduais de Minas Gerais ilustra o argumento: mesmo em um estado sob recuperação fiscal, o projeto atraiu um número recorde de propostas.
O tamanho do mercado explica parte do apetite. A adaptação da infraestrutura escolar brasileira às exigências da educação em tempo integral exige, segundo Pereira, investimentos estimados em centenas de bilhões de reais. Somada a operação desses contratos ao longo da concessão, a conta ultrapassa a casa dos trilhões. Contratos de longo prazo com receitas previsíveis e indicadores de desempenho bem definidos atraem investidores institucionais, o mesmo perfil que a Mind Lab já atende com o Programa Mente Inovadora, hoje presente em mais de 10 mil escolas públicas e privadas do país.
Marques cobra avanços na oferta de crédito. Bancos públicos estruturam projetos, mas ainda existe uma desconexão entre quem desenvolve as PPPs e quem analisa o risco de financiamento. Para ele, tratar a infraestrutura social como prioridade estratégica nas linhas de crédito do BNDES e da Caixa depende de um esforço coordenado entre governo, instituições financeiras e iniciativa privada.
Pereira também detalha o papel dos três Poderes. O Executivo precisa assumir posição clara de apoio às PPPs em educação, já que o país não tem recursos públicos suficientes para reformar todas as escolas nas próximas décadas. O Legislativo precisa dar segurança jurídica ao tratamento fiscal e às garantias do setor. O Judiciário preserva a segurança dos contratos, condição que reduz o custo de capital e mantém o interesse dos investidores. Em nenhum momento, reforça o executivo, a participação privada altera a responsabilidade do Estado sobre a política educacional, argumento central nas parcerias público-privadas que a Mind Lab já estrutura com prefeituras brasileiras.
A entrevista completa, com todas as perguntas e respostas de Ivan Pereira e João Daniel Marques, está disponível no site da BNamericas:




